quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu...por eu mesmo

Gosto de sentir o vento no meu rosto. Da sensação de liberdade que ele provoca.
Adoro olhar o mar e imaginar-me num barquinho sem rota definida. Entregue as delícias do porvir...
Confesso-me uma pessoa apaixonada e impaciente. Apresso-me e concluo o que na verdade, ainda nem foi escrito. È inerente a minha vontade!
Sinto, entretanto, que antecipo-me e literalmente viajo numa palavra...
Nada disso porém, me torna invasora de sentimentos. Sou assim, meio louca e antagonicamente tímida. Difícil de entender, não?
Detesto me sentir acabrunhada! Culpo-me, na verdade por esse estado estabanado com que exponho aquilo que sinto. Exageradamente visceral!
Mas, meu mundo oscila entre a verdade e a fantasia. Curto isso. E assim sendo, por vezes, me sinto poeta ( quanta pretensão!).
Vou sem por rédeas no coração e extrapolo naquilo que digo, mas nunca naquilo que sinto!
Complicado é entretanto, fazer o outro entender, que isto tudo é unilateral.
Existe, compensa, confunde, mas está lá...



Mari Saes

Conclusões

O mundo está em alerta! O ser humano está naufragando...
Desinteressado pelo que lhe cerca, vai afundando em suas memórias. Como se fosse único.Como se fosse o mais importante na cadeia.
A vida anda descrente... E cada um vai se isolando a sua maneira.
Caos absoluto! Solidão em massa...
Destituído de sentimentos nobres vai cavando um buraco onde se enclausura e se acorrenta.
Quer tecer a sua própria rede sem dividí-la com quem quer que seja!
Quer perder-se em si mesmo, e chegar a lugar algum...


Mari Saes

O que restou do amor?

Sempre acreditei na existência do amor. Em sua consistência densa. Sua plenitude exarcebada.
Na essência clara. Na magnificência elaborada.
Sempre defendi o amor como sentimento de primeira grandeza. Forte, preciso e expressivo.
Explícito nos mais simples momentos. Inflamado e declaradamente sexy nos instantes a dois.
Livre e aberto. Vestido de seriedade e embotado de desprendimento.
Sempre exaltei o amor como franco aliado da felicidade. Da harmonia alegre, da sensiblidade terna. Da transparência e da lealdade.
Sempre tremulei a bandeira a favor do amor. Da excelência do sentimento. Do comprometimento determinado na sua chegada.
Sempre intui o maior respeito a quem doa ou declara-se amado.
Hoje meu pensamento reputa um distrato. Já nem mesmo sei, se ainda existe amor assim...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Distanciamento

Quando acordares, junte os motivos

Recolha as taças,

Nossas desgraças

Jogue lá fora...

Pela janela... Fora daqui...

Quando partires, rasgues o retrato

Quebre a aliança,

Assuma o fato

Nesse rompante, é dissonante

Toda a fonética soa sem ética

Morre por mágoa...

--
Mari Saes

Bilhete

Um bilhete sobre a mesa,

Grifado de qualquer jeito,

Ressaltava a despedida,

Como fato consumado...

E entre rios de tristeza

O adeus tornou-se mudo

Num momento decisivo.

Em que o amor foi anulado.

Presa Palavra

No silêncio de mim mesmo
No ardor da agonia
Morre a palavra fria
Na garganta sufocada...
No olhar de desvario,

Até onde vai o amor?

Dentre os meus despedaços, tua foto esmaecida...
Guardada no meu silêncio
De saudades e indagações...
O amor ficou por um fio
partido por aflições...
Nem mesmo o tempo fluente,
dissipou o sentimento
que invade as noites insones
e acomada-se com intimidade
no meu leito ...



--
Mari Saes